O Crucifixo, a cruzada e as cruzes

Ao que parece a retira abrupta do Crucifixo da Câmara Municipal foi o “start” que faltava, a gota d’água, para alavancar uma crise político-religiosa, sem precedentes na história desta cidade.
Depois de ter sido arrancado do plenário da Câmara Municipal, o Crucifixo foi alvo de manifestações nunca antes vistas por estas bandas.
Com a irredutível e irreparável atitude do Presidente da Câmara, embasado na Constituição de que o Estado é laico, mas, esqueceu-se que o povo tem Religião, iniciou-se uma Guerra Santa.
Com efeitos devastadores de uma bomba, movimentos pró e contra o Presidente da Câmara foram crescendo, e quando providencialmente, articularam uma “cruzada” até a Câmara Municipal para tentar uma “conquista” no retorno do símbolo.
Esta e outras “cruzadas”, termo este também usado, por extensão, para descrever, de forma acrítica, qualquer guerra religiosa ou mesmo um movimento político ou moral (wikipédia), na intuito do retorno do referido símbolo, levaram à um desgaste e perdas políticas-religiosas.
Do Presidente da Câmara (por causa da retirada sem uma prévia consulta a todos, afinal, ele foi eleito para representar o povo), dos vereadores (por não ter feito uma Resolução e não um Requerimento, onde o crucifixo em questão pudesse retornar à Câmara, sem que houvesse prejuízos dos trabalhos da casa para o povo), do Prefeito (por sua manifestação, causando-lhe uma mal estar com o Presidente da Câmara, que é de seu partido político, e também, como homem público, um mal estar pelos não católicos); dos padres que iniciaram um perigoso movimento que poderia ter tido consequências impensáveis; dos fiéis que muitas vezes fazem da oratória de outrem seus caminhos certeiros; da comunidade que deixou de receber projetos e obras.
Este retorno à história recentemente vivida por todos nós, é porque toda a sociedade foi envolvida por causa de uma atitude envolta de um símbolo venerado por alguns, e que se sentiram ofendidos.
Mas, o que importa é que este movimento poderia ter sido transferido, com todas as pessoas, com todas as energias, com todas garras, num ecumenismo político-religioso, jamais visto nesta cidade, se as cruzadas fossem na 381 pela retirada de todas as cruzes, mesmo que por algumas gerações permaneçam em nossas memórias, com o passar delas não mais existam.

Muito feliz o editorial do Jornal Bom Dia de 19/04/2011, que retrata, suscinta e profundamente, o tanto que se perdeu com esta “guerra”:
“Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas.

Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.

A Cruz deve ser retirada!

Nunca gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas.

Não quero ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.

Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados. Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas (pobres) morrem sem atendimento. É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e pobres.

Frade Demetrius dos Santos Silva – São Paulo/SP”

E acrescento que, já que o Estado é laico, não quero ver mais cruzes na BR 381.

Basta!

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Uma resposta to “O Crucifixo, a cruzada e as cruzes”

  1. Henriques Says:

    Marcelo, meu caro!
    Esta 381 é terrível. De 15 em 15 dias trafego por ela. Não passo uma viagem que não veja ou caminhão estragado, ou acidente de qualquer tamanho. Infelizmente, os nossos políticos não visualizam nossos mortos. E nossos vivos não querem ficar na frente de uma luta, uma cruzada contra esta máquina de fazer cadáveres.
    Meu sonho é que os políticos trafeguem nela em um feriado. Aí sim eles verão o que é que esta rodovia produz com maestria.
    E vamos subindo a montanha! Abraços, meu amigo!

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