Saramago: Uma Reflexão do Nelson Cunha

Saramago: Um Pitaco.
(dicionário: Pitaco, opinião não solicitada)
Nelson Cunha
Ligo o televisor e dou de cara com o defunto Saramago. Não se parece com velório de ateu. Têm velas tremulando e gente compungida recomendando o escritor ao pai de todas as almas, inclusive as dos ateus. Esses televisores em HD deixam os falecidos, maquiados, quase vivos. Os vivos, enrugados, quase mortos e as flores do caixote mortuário querendo perfumar a minha sala. Olho pra ele e percebo um certo grau de constrangimento. José Saramago praticava, com evidente prazer, o esporte de demolir as religiões num país carola como Portugal. Recebeu o troco por sua ousadia: Havia pouca gente a rodear sua urna, dentre elas, a nossa Dilma em busca de uma foto para seu programa eleitoral. A imprensa quis saber se ela leu Saramago. Ela titubeou e citou o nome incompleto de algum livro. Como se a leitura fosse importante para ser Presidente do Brasil.

Os vivos são uns e os mortos são outros. Se os primeiros têm defeitos, os falecidos vão cheios de bondades. Falar mal de quem vai é covardia dos vivos porque os defuntos não gostam de retrucar. Gosto do Saramago pela sua produção pré Nobel, tinha livros chatos, mas quem não é chato por um dia? Eu mesmo, agora, um chato iconoclasta e gozador da candidata do dono do Blog.

Um prêmio quase sempre faz mal à biografia do agraciado: seja ele um Nobel ou vencedor do BBB. A imprensa tem responsabilidade nisso: Está sempre a perguntar sobre tudo e sobre todos, da teoria das cordas até a receita para erisipela. O agraciado passa a ser, de repente, uma autoridade em tudo. Fica parecendo o Sheldon Cooper da série de tv Big Bang Theory (que eu adoro) .

O pobre do Saramago caiu nessa armadilha e foi muito contraditório ao se manifestar sobre política e religião. Hoje o jornal oficial do Vaticano, L’Osservatore Romano, cobrou coerência do escritor que criticava a inquisição e as cruzadas, mas se calava diante dos genocídios praticados pelas ditaduras marxistas da história. O defunto que calado estava, mudo e resignado ficou.

Da minha parte está desculpado porque relevância mesmo é o seu legado literário que o fez um dos maiores escritores da língua lusitana. Mérito maior porque escrevia num idioma com pouco prestígio como é o nosso maltrapilho português. O idioma monossilábico ficará assilábico depois que os novos escribas tiverem concluído a pós-graduação no MSN, Orkut e Twitter. Chegaremos ao ápice da evolução lingüística quando entrarmos na fase dos grunhidos como os Neandertais. O mundo é redondo e a história dá voltas.
-Inhamm, inhamm significará: Te amo e quero te comer agora, vai baixando a calcinha. -Umhum, ela responde cheia de dengo e já abrindo as perninhas. Não é romântico o novo-velho idioma que se está a resgatar?

Pois, pois Oh!pá. Que Deus (se existe) ponha o José de castigo, só por uns dias, pelas ofensas ao Criador. Depois lhe dê um lugar no seu coração perdoador.
Estás a perceber?

Por si só, ele veio uma obra completa. Mão do Criador.
Marcelinho

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Uma resposta to “Saramago: Uma Reflexão do Nelson Cunha”

  1. Nelson Cunha Says:

    Marcelo,
    Fiz o texto sem cuidados. Como voce o promoveu para primeira página, resolvi revisá-lo. Veja aí se pode trocá-lo por este corrigido.
    Abraços,
    Nelson

    Saramago: Um Pitaco.
    (dicionário: Pitaco, opinião não solicitada)
    Nelson Cunha
    Ligo o televisor e dou de cara com o defunto Saramago. Não se parece com velório de ateu. Têm velas tremulando e gente compungida recomendando o escritor ao pai de todas as almas, inclusive as dos ateus. Esses televisores em HD deixam os falecidos, maquiados, quase vivos. Os vivos, enrugados, quase mortos e as flores do caixote mortuário querendo perfumar a minha sala. Olho pra ele e percebo um certo grau de constrangimento. José Saramago praticava, com evidente prazer, o esporte de demolir as religiões num país carola como Portugal. Recebeu o troco por sua ousadia: Havia pouca gente a rodear sua urna, dentre elas, a nossa Dilma em busca de uma foto para seu programa eleitoral. A imprensa quis saber se ela leu Saramago. Ela titubeou e citou o nome incompleto de algum livro. Como se a leitura fosse importante para ser Presidente do Brasil.

    Os vivos são uns e os mortos são outros. Se os primeiros têm defeitos, os falecidos vão cheios de bondades. Falar mal de quem vai é covardia dos vivos porque os defuntos não gostam de retrucar. Gosto do Saramago pela sua produção pré Nobel, tinha livros chatos, mas quem não é chato por um dia? Eu mesmo, agora, um chato iconoclasta e gozador da candidata do dono do Blog.

    Um prêmio quase sempre faz mal à biografia do agraciado: seja ele um Nobel ou vencedor do BBB. A imprensa tem responsabilidade nisso: Está sempre a perguntar sobre tudo e sobre todos, da teoria das cordas até a receita para erisipela. O agraciado passa a ser, de repente, uma autoridade em tudo. Fica parecendo o Sheldon Cooper da série de tv Big Bang Theory (que eu adoro) .

    O pobre do Saramago caiu nessa armadilha e foi muito contraditório ao se manifestar sobre política e religião. Hoje o jornal oficial do Vaticano, L’Osservatore Romano, cobrou coerência do escritor que criticava a inquisição e as cruzadas, mas se calava diante dos genocídios praticados pelas ditaduras marxistas da história. O defunto que calado estava, mudo e resignado ficou.

    Da minha parte está desculpado porque relevância mesmo é o seu legado literário que o fez um dos maiores escritores da língua lusitana. Mérito maior porque escrevia num idioma com pouco prestígio como é o nosso maltrapilho português. O idioma monossilábico ficará assilábico depois que os novos escribas tiverem concluído a pós-graduação no MSN, Orkut e Twitter. Chegaremos ao ápice da evolução lingüística quando entrarmos na fase dos grunhidos como os Neandertais. O mundo é redondo e a história dá voltas.
    -Inhamm, inhamm significará: Te amo e quero te comer agora, vai baixando a calcinha. -Umhum, ela responde cheia de dengo e já abrindo as perninhas. Não é romântico o novo-velho idioma que se está a resgatar?

    Pois, pois Oh!pá. Que Deus (se existe) ponha o José de castigo, só por uns dias, pelas ofensas ao Criador. Depois lhe dê um lugar no seu coração perdoador.
    Estás a perceber?

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