EXPECTATIVA

por Jules Gilet

Hoje o post é diferente. Não buscará fazer um apanhado da semana, nem da conjuntura atual frente à problemática do mundo. Hoje o assunto é expectativa.

 

s.f. situação de quem espera a ocorrência de
algo, ou sua probabilidade de ocorrência,
em determinado momento (…) esperar,
desejar, ter esperança, (…) espera
que repousa numa promessa ou
numa probabilidade.
Fonte: Dicionário Houaiss da Lingua Portuguesa

 

A expectativa é um sentimento no qual as pessoas se apóiam com o intuito de alimentar algo, uma vontade, uma ambição, uma intenção, e por aí vai. Tal sentimento busca preencher um vazio, com base numa espera, e numa quase-certeza de que as coisas vão acontecer de determinada forma, do “nosso jeito”.

 

Em função disso, é por causa da expectativa que as pessoas se decepcionam. Quando não se é possível atendê-la, a expectativa – agora frustrada – atribui-se a culpa aos outros. “Você me decepcionou. Eu achei que te conhecia.” Já ouviu isso? Ou já disse? OU AMBOS? Pois é, quando se profere ou ouve tais ditos, é porque alguém está decepcionado, mas não por falta de conhecer o outro, mas por falta de se conhecer. Por uma ignorância parcial e viciada, que cega o individuo, que poderia ter uma posição de outra perspectiva, mas só mantém aquela opinião, um enorme e imóvel axioma, absoluto em sua existência na inocente e teimosa cabeça de cada um.

Por vezes, a dinâmica é outra. O individuo, sem expectativa alguma, é surpreendido por uma circunstância que entrega um novo cenário. Diante deste, o fulano, outrora brando, começa a manifestar um interesse diante da situação, o que, por conseqüência, traz a expectativa.

Interessante é que neste iter, o indivíduo, anteriormente desapegado, desencadeia uma série de pensamentos carregados de verdades e opiniões, que o tornam parcial. E a partir daí, para vir a decepção, é um suspiro.

O sujeito ansioso, encimesmado e excêntrico se perde, pois começa uma luta contra aqueles que têm expectativas diversas à sua ou àqueles que não atendem aos anseios, ficando assim, decepcionado e isolado de seus pares.

Há também a expectativa que faz o indivíduo transpor qualquer barreira. Mas aí o problema não está no sentimento, e sim na pessoa, que faz de tudo para atingir o que quer. Esses não se decepcionam muito, pois calculam as possibilidades e jogam com a vida e com as pessoas, mas para ganhar. Desses, eu conheço aos montes, e quero distancia.

Mas por vezes, ela – a expectativa – pode ser boa. Ela alimenta a vontade e nos torna mais fortes. Nos dá vontade de acordar e dizer “É hoje!” ou “Sim, eu posso.”

Não percamos a vontade, o querer, a fé no outro. Mas por favor, deixemos a inocência e a teimosia de lado. Pois chega de divergência. Mais conversa, mais consenso, menos da expectativa ruim. Sem a mudança de comportamento, seguiremos patinando rumo ao precipício das emoções.

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